Entrevista: Manuel Alvarez, presidente da RE/MAX Portugal

Entrevista Franchising Remax Portugal

A RE/MAX completa, este ano, 45 anos de existência. É actualmente a maior rede internacional de franchising imobiliário, estando presente em 85 países com 7 mil agências e mais de 90 mil agentes associados.

Em Portugal há 18 anos, a marca conseguiu a liderança. É uma referência para a profissionalização do sector, é líder em número de transacções, agências e agentes, já foi por várias vezes premiada e considerada a melhor empresa para trabalhar em Portugal.

E quais são os segredos para manter uma rede de franchising tão consolidada e referenciada?

Ao Gofranchising, o presidente da RE/MAX Portugal, falou sobre o processo de implementação, dos desafios enfrentados, dos segredos para a consolidação e dos planos para o futuro.

GO: Apesar da notoriedade internacional, que desafios e cenário encontrou a RE/MAX quando chegou ao mercado imobiliário português?

M.A.: Em Portugal há 18 anos, a RE/MAX Portugal pauta-se por ter feito um caminho sólido e consistente, num mercado cujos desafios e adversidades eram bastantes.

Quando chegámos, em 2000, deparámo-nos com um mercado fragmentado, com muitas pequenas imobiliárias e poucos vendedores, pouca profissionalização do sector e um desconhecimento absoluto da tipologia de negócio de franchising, assim como dos benefícios que este modelo poderia trazer a cada agente, a cada região e a cada cliente.

Ainda no mesmo ano, o Bonificado – regime de crédito à habitação onde uma parte dos juros era suportada pelo Estado de acordo com o rendimento anual bruto do agregado familiar e da sua composição – termina e muitas famílias se questionaram como seria daí em diante, como iriam conseguir manter ou realizar um crédito à habitação sem este apoio.

Coube-nos a nós, RE/MAX, perante uma sociedade pouco informada no que respeita ao sector, sem acesso à Internet e com apenas os tradicionais meios de comunicação, arranjar ferramentas para dinamizar a marca, as vantagens deste tipo de negócio e demonstrar a cada colaborador que cada um é muito mais que um simples mostrador de casas. É consultor, analista e, acima de tudo, um especialista no sector imobiliário.

GO: Considerando que a estratégia inicial de expansão é crucial para o futuro e consolidação da marca, como recordam o primeiro ano de expansão em Portugal?

M.A.: Os primeiros anos foram, sem dúvida, os mais desafiantes e complicados para a RE/MAX, por todos os desafios que já revelámos.

Quando chegámos ao mercado português, o nosso principal objectivo passava por dar a conhecer o negócio, os benefícios que iríamos trazer para o sector e quebrar paradigmas no que vinha sendo o mercado imobiliário em Portugal até então.

Ao longo do primeiro ano, fizemos mais de 1.000 apresentações de venda de franchising, dos quais conseguimos fechar cerca de 48 unidades, o que consideramos ser um excelente resultado em qualquer rede de franchising. Nos três anos seguintes mantivemos a mesma média, o que fez com que, em 2003, com três anos de atividade, tivéssemos já uma rede com cerca de 120 franchisados.

GO: Qual é o “segredo” para manter uma rede de franchisados consolidada?

M.A.: Para a RE/MAX, a confiança é o grande segredo para manter uma rede consolidada de franchisados. Cabe-nos a nós, Master, garantir que todos eles confiam em nós, nos conhecimentos que detemos e, acima de tudo, que sintam que, juntos, lutamos por um objectivo comum: garantir um negócio sustentado a longo prazo, com resultados financeiros de sucesso.

Todas as decisões que implementamos têm uma razão de ser e quem dá a cara pelo negócio deve ter visão para o perceber, colocando sempre a empresa em primeiro, encontrando soluções adequadas aos diferentes cenários de mercado.

GO: A RE/MAX é considerada uma das melhores empresas para trabalhar em Portugal, líder em transacções, em número de agências e agentes. Como é que se motiva um número tão grande de pessoas para bons resultados?

M.A.: Na verdade, tudo se resume a uma fórmula bastante simples. Para nós, Master, os clientes são numa primeira instância os nossos colaboradores, que por sua vez têm o investidor, que quer comprar ou vender casas, como seu cliente.

Se nos colocarmos no lugar deles, reconhecermos o trabalho que diariamente é feito, reforçarmos o foco do seu objectivo, independente das adversidades actuais do mercado, o cumprimento das regras do negócio e os conduzirmos ao sucesso, com formações novas e contínuas, que os ajudam a ser mais do que um Agente Imobiliário e consequentemente a proporcionar um serviço acima da média a quem nos procura, conseguimos ter um número tão grande de pessoas motivadas e com resultados de sucesso.

Claro que este é um processo que dá trabalho, mas que por outro lado nos enriquece, por sabermos que estamos há 18 anos a construir um mercado mais maduro, a mudar mentalidades e a revolucionar o sector imobiliário em Portugal.

GO: Como vê o futuro da RE/MAX em Portugal? O que é que ainda falta fazer?

M.A.: Acreditamos que o futuro da RE/MAX em Portugal é bastante promissor. Desde 2000 que temos vindo a criar uma maior profissionalização do sector e, consequentemente, um maior reconhecimento por parte dos clientes, da relevância e notoriedade da RE/MAX.

Da nossa parte, falta-nos ainda chegar a todas as regiões do país, aumentando a nossa rede de agências, mantendo a tendência positiva de 2017, onde registámos um crescimento na ordem dos 25%, com 55 novas unidades entre Janeiro e Dezembro.

Por outro lado, sentimos que falta ainda o ponto de viragem na mudança de comportamentos do comprador, onde seja reconhecido o verdadeiro sentido de mais-valia de trabalhar com profissionais imobiliários e que passa por consultar uma imobiliária profissional no momento de compra ou venda de uma casa.

6 de Fevereiro de 2018

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