A febre do franchising no Brasil

O Brasil é um dos mercados mais maduros no âmbito do franchising. Nos últimos tempos, devido ao crescimento da economia brasileira, este modelo de negócio tem-se desenvolvido bastante. Só em 2010 surgiram mais de 280 novas redes franchisadoras no país. Ou seja, num único ano, o Brasil produziu quase tantas redes de franchising como o total das marcas portuguesas que operam sob esta fórmula.

Podemos falar numa verdadeira febre do franchising. As revistas e publicações especializadas dão conta de verdadeiros casos de estudo: pequenos empresários que, a partir de uma primeira loja própria, erguerem em poucos anos uma vasta rede de unidades franchisadas por todo o território brasileiro.

É o caso da Prepara, que oferece cursos profissionalizantes. Começou a sua expansão em franchising em 2004 e hoje tem cerca de 350 lojas (sendo 328 franchisadas) em 23 estados do país. As receitas alcançaram quase 120 milhões de reais no ano passado (53 milhões de euros), 35% mais do que em 2009. Os recursos para financiar o crescimento não vieram de sócios, investidores ou empréstimos bancários, mas sim das centenas de empreendedores que se quiseram associar à marca e que hoje são donos de uma ou mais unidades — cada um deles suportou um investimento inicial, incluindo direitos de entrada, de 80 000 reais (35 mil euros).

“Como eu não tinha capitais próprios suficientes para investir, decidi criar uma rede para dividir os custos do crescimento com os franchisados”, afirma Rogério Gabriel, fundador e presidente da Prepara.

Rogério Gabriel é um entre muitos empresários que, no Brasil, optam pela mesma via. O modelo do franchising está na moda. Nos últimos três anos, surgiram quase 1 000 novas redes no país. O sector é gigantesco, fazendo do Brasil o quinto maior mercado do mundo em receitas e o segundo em número de empresas.

Os números, de facto, impressionam. É como se, a cada dia útil, pelo menos um empreendedor decidisse franchisar a sua marca. As perspectivas são animadoras: a economia brasileira continua a crescer, existindo no país uma classe média em grande crescimento. Para além disso, o Brasil tem uma população de cerca de 200 milhões de pessoas, distribuídas por 27 capitais e 5635 cidades. E, por fim, a cereja no topo do bolo: o país vai organizar o campeonato do Mundo de Futebol, em 2014, e os Jogos Olímpicos, em 2016.

Trata-se de um mercado com grande potencial para as marcas portuguesas, até por motivos de afinidade cultural e linguística. É imperioso, contudo, que os franchisadores lusos façam o trabalho de casa. Precisam de estudar o mercado e os concorrentes, as especificidades brasileiras e descobrir os melhores modelos para entrar nesse vastíssimo país.