Segurança do Franchising: o caso Marsans

O caso Marsans, rede de agências de viagens em franchising que fechou portas recentemente, reabriu a discussão sobre a segurança dos investimentos sob a fórmula de franquia. É nossa opinião que este episódio não altera substancialmente o que já se sabia sobre os negócios em franchising: a taxa de mortalidade é mais reduzida, em comparação com os negócios independentes, por se tratar de conceitos já testados. Oferecem, por isso, mais segurança a quem pretende abrir um negócio ou criar a sua própria empresa. Esta segurança, porém, não é uma garantia total, sem riscos. Afinal de contas, não há investimento (qualquer que seja) sem risco.

No que diz respeito à falência da Marsans, convém ter presente alguns pontos. Desde logo, é preciso realçar que os problemas sentidos em Portugal pela filial Marsans Lusitana resultaram exclusivamente da grave crise da central em Espanha, e não de aspectos conjunturais ou relacionados com a própria gestão da rede no nosso país.

O Grupo Viajes Marsans, em Espanha, começou a apresentar problemas já em 2009, tendo por isso negociado a venda de algumas das suas empresas, como a companhia aérea Air Comet. No início deste ano, era público que os seus accionistas tentavam a todo o custo negociar a venda do grupo a fundos de investimento europeus.

Em Abril de 2010, dois meses antes dos acontecimentos se precipitarem em Portugal, a Associação Internacional do Transporte Aéreo (IATA) proíbe a Marsans de emitir bilhetes de avião, por falta de pagamento da garantia. Tal facto constitui uma sanção gravíssima para uma agência de viagens, que prenuncia praticamente o seu encerramento. Tudo devido à situação da empresa em Espanha, visto que as agências portuguesas continuavam a laborar com normalidade. 

Perante este acumular de episódios, não estranharam os profissionais do sector que no passado mês de Junho a Marsans deixasse de pagar aos operadores as viagens contratadas com os clientes , mesmo já tendo recebido dinheiro, deixando os passageiros em terra. Foi na mesma altura em que a empresa apresentou em Espanha um plano para despedir os seus 1500 trabalhadores.   

O Tribunal de Comércio de Lisboa declarou a Marsans Lusitana insolvente no passado dia 9 de Agosto.  Entretanto, o Turismo de Portugal accionou a caução da agência junto da seguradora correspondente, com vista a ressarcir alguns dos clientes lesados.

É nosso parecer que, sem os problemas vindos de Espanha, a rede nacional da Marsans teria continuado a funcionar sem anomalias, visto que a maior parte das suas agências no nosso país era rentável. As unidades lusas foram atiradas para o poço sem fundo da Viajes Marsans, empresa que cresceu desmesuradamente em Espanha na última década, devido ao crescimento económico registado no país vizinho, e que não conseguiu adaptar-se à realidade económica actual. 

Autor: Nuno Silva, Gestor – Trema