Negócio do ouro em crescimento

O negócio de compra e venda de ouro está em franco crescimento em Portugal. À semelhança de outros sectores, também neste negócio as redes de franchising começam a marcar uma posição de domínio. Em menos de dois anos, só a Valores superou já as 100 lojas abertas. A rede Ourinvest, que iniciou a sua expansão no ano passado, conta com cerca de 30 agências, e a própria OuroDamas, que começou a franchisar apenas em Abril deste ano, tem já mais de 10 unidades em funcionamento. 

As peças usadas que estas agências adquirem destinam-se a serem fundidas e transformadas em barras novas, que irão para o mercado de investimento ou industrial. A legislação que regulamenta a actividade de compra e venda de ouro usado obriga cada agência a inscrição prévia junto das entidades oficiais. Entre outras regras, a agência necessita de enviar semanalmente para a Polícia Judiciária um relatório com a identificação das peças compradas e dos clientes que as venderam.Os mercados internacionais registam uma constante valorização do ouro, que beneficia da crise internacional e da instabilidade que se vive nos mercados accionistas e de dívida, obrigando os investidores a apostar em activos de refúgio.

As reservas de ouro do Banco de Portugal, estimadas em 382 toneladas, estão hoje avaliadas em mais de 12 mil milhões de euros, um montante que daria para pagar integralmente três novos aeroportos idênticos ao que está projectado para o Poceirão.

Só desde o início de 2010, o stock de ouro nacional obteve uma valorização de cerca de 30%. O Banco de Portugal, adoptando uma postura conservadora, não compra nem vende ouro desde Setembro de 2006. As actuais 382 toneladas posicionam Portugal no 14.º lugar do “ranking” dos países com maior stock de ouro do mundo. Desde 1975 o Banco de Portugal alienou mais de metade das reservas de ouro detidas, estando agora sujeito ao acordo assinado pelos bancos centrais, em Agosto de 2009, que baixou o limite permitido de vendas anuais. O peso do ouro no total das reservas é dos mais elevados entre os bancos centrais.