Franchising: tendências para 2010

Com base nas mais diversas análises, é possível apresentar um conjunto de tendências para 2010. Algumas destas tendências, de resto, manter-se-ão nos anos seguintes. 

1. Valorização dos negócios anti-cíclicos.
Há sectores que registam uma tendência de crescimento mesmo na presente conjuntura. É o caso de alguns conceitos na área da saúde, estética e beleza. É igualmente o caso dos serviços domiciliários, sobretudo para a terceira idade, que servem uma população cada vez mais envelhecida. Podemos ainda apontar os sectores da formação profissional e os serviços especializados de limpeza e higienização de residências, escritórios e automóveis, entre outros que incorporem a dose bastante de inovação e diferenciação.

2. Crescimento dos negócios de baixo investimento. Oportunidade para as marcas que apresentam um investimento inicial até 20 ou 30 mil euros, realizado muitas vezes sem recurso a crédito. Ou então, no caso português, numa estratégia típica de “auto-emprego”, com as verbas disponíveis para apoiar a criação do próprio emprego.

3. Valorização dos negócios ecológicos e “amigos do ambiente”. Com ou sem razão científica, o discurso das alterações climáticas e da gestão respeitadora da natureza parece ter triunfado. Isto cria condições para o crescimento nos próximos tempos de conceitos baseados na sustentabilidade ambiental (o “ouro verde”) e no uso das chamadas tecnologias limpas

4. Negócios de e para mulheres. É uma tendência em crescendo. Conceitos centrados na mulher, com serviços para a mulher e geridos por mulheres. Desde centros de fitness até lojas de roupa para segmentos específicos.  

5. Procura de refeições económicas. Devido à crise, regista-se uma maior procura de refeições económicas, o que garante bons ventos para o chamado fast food. Algumas das marcas que operam neste sector obtiveram lucros recordes no exercício de 2009.

6. Entrada de novos conceitos de franchising. Nos momentos de crise há grandes oportunidades. A questão é saber aproveitá-las. Na conjuntura actual podem, por isso, surgir novos modelos de negócio, que ofereçam resposta válida aos problemas de hoje.  

7. Novas fórmulas de financiamento. Perante as dificuldades da banca, os franchisadores terão de proporcionar aos novos franchisados outros meios de financiamento, que não se esgotem em meros descontos ou facilidades na liquidação dos direitos de entrada. Esses novos meios podem ser, entre outros: capital de risco, business angels, sociedades de garantia mútua, social lending, etc.

8. Fusões e aquisições. Provavelmente não em Portugal, mas algumas empresas franchisadoras, com conceitos semelhantes, serão tentadas a ensaiar processos de fusão (ou de aquisição), como meio de atingir maior dimensão de rede e criar economias de escala.

Um mercado que seguirá em alta é o das matérias-primas (“commodities”). Jim Rogers, o homem que previu em 1999 o movimento altista das matérias-primas, considera que estas são a única classe de activos onde se deve actualmente investir. Isto porque o crescimento da China e da Índia, assim como a procura de investimentos alternativos, continuarão a sustentar os preços. As grandes casas de investimento apostam na subida generalizada das commodities em 2010, com destaque para os metais preciosos, como o ouro, e os produtos agrícolas, como os cereais e oleaginosas.

O mercado nacional de franchising oferece algumas oportunidades nesta área. Trata-se de conceitos de compra e venda de ouro, que abriram várias unidades em 2009 e que continuarão a expandir-se a bom ritmo no presente ano.

Por último, não custa adivinhar como tendência para 2010 o recurso crescente das marcas aos blogues e redes sociais, como o Facebook e o Twitter, com vista à criação de comunidades de interessados e à exploração de novas formas de expansão das redes.